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CITAC 05
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Citações retiradas do livro "Carnaval - Seis Milênios de História", de Hiram Araújo (2003)
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“[...] E na segunda metade desses anos sairiam do Estácio de Sá (e do Morro de São Carlos) os sambas que seriam gravados na década seguinte.” (p. 6)
“É desse tempo, 1928, a Escola de Samba Deixa Falar, cujo fundador, Ismael Silva, é parceiro de Nilton Bastos e de Francisco Alves no samba Se Você Jurar (1931).” “Mano Rubens, Mano Elói e Edgar são sambistas do Estácio que subiram o Morro de São Carlos. Alcebíades Barcelos e Armando Marçal [...]” (p. 7)
“Talvez o tempo leve também para o futuro o samba de Bide e Marçal, Agora É Cinza, para colocá-lo no rol dos que deixaram dúvidas quanto ao pioneirismo.” (p. 7)
“Foi então que um grupo de sambista do Estácio, composto de bambas como Ismael Silva, Nilton Bastos, Baiaco (Oswaldo Barcelos), Mano Edgar, Mano Rubem (Rubem Barcelos, irmão de Bide), Osvaldo “Papoula”, Aurélio, Francelino, Juvenal Lopes (o Nanal) entre outros, resolveu imitar a turma dos ranchos, formando uma agremiação capaz de impor respeito e admiração. A primeira providência foi bolar outra designação para o conjunto. Como se reuniam nas proximidades de uma escola normal, na esquina da Rua Joaquim Palhares com Machado Coelho, raciocinaram: “Se quem ensina às crianças são chamados de professores, nós que sabemos tudo de samba também somos mestre e formamos uma escola, escola de samba.” Ismael reivindica para si a autoria do termo: “Quem inventou a expressão de escola de samba fui eu.” (p. 219)
"O nome da agremiação surgiu também do mesmo raciocínio: “Deixa Falar, é daqui que saem os professores”, finaliza Ismael." (p. 219)
“A maneira de desenvolver o desfile também foi resolvida por eles. É sugestiva a declaração de Ismael Silva: “Quando comecei o samba, na época, não dava para os grupos carnavalescos andarem na rua conforme a gente vê hoje em dia. O estilo não dava para andar. Eu comecei a notar que havia essa coisa. O samba era assim: tan tantan tan tantan. Não dava. Como é que um bloco ia andar na rua assim? Aí a gente começou um samba assim: bum bum paticumbum prugurundum. Estava descoberta a fórmula.” O macete só pôde aparecer graças à criação do surdo de marcação, por Bide.” (p. 220)
“Ao nascer, a 12 de agosto de 1928, a Deixa Falar se posicionou como um bloco carnavalesco, à semelhança de inúmeros outros existentes [...], entretanto, eles estavam à procura de algo diferente. Encontraram o nome, o ritmo, mas na hora de transformar-se realmente em escola, virou rancho carnavalesco.’ "(p. 220)
“A famosa Deixa Falar nunca foi escola de samba. Participou, em 1929, do concurso de sambas, promovido por Espinguela e, segundo Juvenal Lopes, foi desclassificada, porque apareceu de gravata e de flauta...Em 1930 e 1931 desfilou no dia dos ranchos, embora não concorresse”. (p. 220)
“A Deixa Falar cresceu sem acreditar muito em si mesma e no samba, nessa época ainda um tanto identificado como marginalismo, malandragem.” (p. 221)
“Com o crescimento da Deixa Falar veio a ideia de transformá-la em rancho. Nessa época, na diretoria já entrara Simplício, baiano, e a transformação ocorreu. E, quatro anos depois de seu aparecimento, a Deixa Falar sai à rua pela última vez, não mais na alegria dos sambas de Ismael e Bide, marcados em tamborins, mas na tristeza de uma marcha-rancho". (p. 221)
“É preciso também se entender que a Deixa Falar vivia praticamente no centro da cidade, onde predominavam os negros iorubás emigrados da Bahia, sofrendo, portanto, forte influência dos ranchos carnavalescos, que estavam no auge de seu desenvolvimento, badalados e cortejados. A Deixa Falar não demorou muito e se transformou mesmo em rancho carnavalesco, não conseguindo seguir caminhos próprios”. (p. 221)
“A Deixa Falar inventa o surdo e o tamborim.” (p. 221)
“Em 1987, o GRES Estácio de Sá desenvolve um enredo a respeito de uma fruta nossa, o sapoti. E Darcy do Nascimento, Djalma Branco e Dominguinho do Estácio fazem uma letra muito sugestiva.
“Que ti ti ti é esse
Que vem da Sapucaí
Tá que tá cheirando
Tá cheirando a sapoti
Baila no céu a esperança
O cheiro doce e o perfume
Vem no ar...” (p. 290)
“Rubem Barcelos, famoso compositor do Estácio, incentivador de Blocos, morreu no dia 17 de junho de 1927, com uma hemoptise galopante, não vendo desfilar a primeira escola de samba do Rio, a Deixa Falar, que ajudou a fundar.” (p. 332)
“A região do Estácio – morada de artífices, operários e biscateiros, vizinha do morro de São Carlos, ponto natural de encontros, convergência de alandros, alguns deles excelentes sambistas – tem uma história importante no samba. Os botequins do Estácio, sobretudo os do Compadre e Apolo, eram frequentados pelos bambas que fundaram a primeira escola de samba.” (p. 332)
“O Surgimento da Deixa Falar coincidiu com a implantação da gravação elétrica no Brasil, responsável pelo impulso dado ao mercado fonográfico.” (p. 332)
“A Estácio de Sá nasceu da fusão das mais tradicionais escolas de samba existentes no Morro de São Carlos: Paraíso da Morenas, Recreio de São Carlos.” (p. 520)
“Fundadores: Miro (primeiro presidente), Caldez, Cândido Canário, Sidnei Conceição, Zacharias do Estácio, José Botelho, Maurício Gomes da Silva, Walter Herrice, Manuel Bagulho, entre outros.” (p. 520)
“O nome inicial da escola era São Carlos. Somente a partir de 1983 é que passou a chamar-se Estácio de Sá, o que, afinal, conciliaria os ajustes.” (p. 520)