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Citações retiradas do livro "Memória do Carnaval", da Riotur (1991).
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“1928 * Fundação da Deixa Falar, historicamente considerada a primeira escola de
samba”
“1932 * [...] A escola de samba Deixa Falar se transforma em rancho carnavalesco”
“1934 * [...] Desaparece o Rancho Carnavalesco Deixa Falar”
“1935 * [...] as escolas de samba foram oficialmente reconhecidas, tendo que
legalizar suas situações na Delegacia de Costumes e Diversões, onde recebiam o alvará de funcionamento e eram registradas como Grêmios Recreativos, passando a receber subvenção da prefeitura.” (p. 24)
“Aqui no Rio de Janeiro, essas rodas de batuque tiveram o nome de caramba, jongo,
partido alto e mais tarde, rodas de samba e batucadas. Daí surgiu e se espalhou a produção musical brasileira dos anos 20. E na segunda metade desses anos sairiam do Estácio de Sá (e do morro de São Carlos) os sambas que seriam gravados na década seguinte.” (p. 89)
“ É desse tempo, 1928, a Escola de Samba Deixa Falar, cujo fundador, Ismael Silva,
é parceiro de Nilton Bastos e de Francisco Alves no samba Se você jurar (1931).
Mano Rubens, Mano Elói e Edgar, são sambistas do Estácio que subiram o morro de
São Carlos.” (p. 90)
“AGREMIAÇÃO GRBC MOCIDADE UNIDA DO ESTÁCIO DE SÁ
ENDEREÇO Rua Santos Rodrigues, n⁰. 103
BAIRRO Estácio
MUNICÍPIO Rio de Janeiro
CORES vermelho e branco
FUNDAÇÃO 16/11/1976” (p. 108)
“AGREMIAÇÃO GRBC VAI QUEM QUER
ENDEREÇO Rua Catumbi, n⁰. 31
BAIRRO Catumbi
MUNICÍPIO Rio de Janeiro
CORES azul e branco
FUNDAÇÃO 20/01/1956” (P. 113)
“Então, um grupo de sambistas do Estácio composto de bombas como Ismael Silva, Nilton Bastos, Baiako (Osvaldo Marques), Brancura (Silvio Fernandes), Bide (Alcebíades
Barcelos), Mano Edga, Mano Rubem (Rubem Barcelos, irmão de Bide), Osvaldo Papoula,
Francelino, Juvenal Lopes (O Nanal) entre outros, e resolveu unir-se para formar uma
agremiação capaz de impor respeito e admiração.” (P. 183)
“A primeira providência foi “bolar”, uma designação para o “conjunto”. Como se reuniam nas proximidades de uma Escola Normal, na esquina da Rua Joaquim Palhares com
Machado Coelho, raciocinaram: “se quem ensina às crianças são chamados professores, nós que sabemos tudo de samba também somos mestres e formamos uma Escola, Escola de Samba”. Ismael Silva reivindica para si a autoria do termo “quem inventou a expressão Escola de Samba fui eu”. (p. 183)
O nome da agremiação surgiu também do mesmo raciocínio: “deixa falar, é daqui
que saem os professores”, finaliza Ismael.
A maneira de desenvolver o desfile também foi resolvida por eles. É sugestiva a
declaração de Ismael Silva: “quando comecei o samba, na época, não dava para os grupos
carnavalescos andarem na rua conforme a gente vê hoje em dia. O estilo não dava para andar.
Eu comecei a notar que havia essa coisa. O samba era assim: tan tantan tan tantan. Não dava.
Como é que um bloco ia andar na rua assim? Aí a gente começou um samba assim: bum bum paticumbum prugurundum. Estava descoberta a fórmula. O macete só pôde ser descoberto graças à criação do surdo de uma marcação, por Bide.
A história da origem da criação do nome Escola de Samba tem outras versões. Para
Almirante, o termo nasceu da popularização do tiro de guerra em 1916 quando se tornou comum brado “Escola, sentido!” logo incorporado ao meio sambista. Para comprovar a interpretação, cita o exemplo do Rancho Ameno Resedá, conhecido como Rancho Escola.
Para Édson Carneiro (em A Sabedoria Popular), “o nome Escola decorre não somente da
popularidade das vozes do comando dos tiros de guerra, como da circunstância de se aprender a cantar e dançar o samba”. Jota Efegê também defende a tese de que o termo Escola de Samba existia bem antes de 1928.
Ao nascer, a Deixa Falar se posicionou como um bloco carnavalesco à semelhança
de inúmeros outros existentes na Saúde, Mangueira, Salgueiro, Santo Cristo, Oswaldo Cruz Bento Ribeiro, Favela, etc. Entretanto, eles estavam à procura de algo diferente. Encontraram o nome, o ritmo, mas, na hora de transformar-se realmente em Escola, virou rancho carnavalesco. Marília Barbosa e Lígia Santos, no livro sobre Paulo da Portela, são radicais: “a famosa Deixa Falar nunca foi a escola de samba. Participou em 1929, do concurso de sambas, promovido por Espinguela e, segundo Juvenal Lopes, foi desclassificada, porque apareceu de gravata e de flauta… Em 1930 e 1931 desfilou no dia dos ranchos, embora não concorresse. Em 1932, a Deixa Falar assumiu a posição de rancho. Juarez Barroso dá sua versão: “a Deixa Falar cresceu sem acreditar muito em si mesma e no samba, nessa época ainda um tanto identificado como marginalismo, malandragem. Admirados mesmo eram os ranchos, altaneiros, refletindo o porte da elite cultural negra de ascendência baiana. Com o crescimento da “Deixa Falar” veio a ideia de transformá-la em rancho. Dessa época a diretoria já entrara Simplício, baiano, e a transformação ocorreu. E, quatro anos depois de seu aparecimento, a Deixa Falar sai à rua pela última vez, não mais na alegria dos sambas de Israel e Bide, marcados em tamborins, mas na tristeza de uma marcha-rancho da Polícia Militar.”
É preciso também se entender que a Deixa Falar vivia praticamente no centro da
cidade onde predominavam os negros iorubas emigrados da Bahia, sofrendo, portanto, forte influência dos ranchos, que estavam no auge de seu desenvolvimento badalados e cortejados. A Deixa Falar não demorou muito e se transformou mesmo em rancho carnavalesco, não conseguindo seguir caminhos próprios.” (p. 183)
“Na década de 30, as escolas de samba procuraram suas identidades, mirando-se nos
exemplos dos ranchos carnavalescos e das grandes sociedades. É tempo de criação. A Portela sai na frente: introduz nos desfiles a Comissão de Frente uniformizada; faz o primeiro esboço de alegoria; reafirma o uso de cordas no desfile, e a criação do primeiro enredo e samba-de-enredo. A Deixa Falar inventa o surdo e o tamborim. A Mangueira introduz na bateria o pandeiro oitavado, substitui a gambiarra pela iluminação elétrica. A Vizinha Faladeira coloca cavalos e automóveis limusine na Comissão de Frente; introduz no desfile a ala de damas com sombrinhas, confecciona os instrumentos da bateria com barrica francesa, coloca lampiões de luz e carbureto para iluminar a escola.” (p. 186)
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descriptive note
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As citações selecionadas abordam a origem, a trajetória e a importância histórica da Deixa Falar e dos sambistas do Estácio na formação das escolas de samba. Elas destacam a fundação da agremiação em 1928, sua posterior transformação em rancho carnavalesco e o papel de figuras como Ismael Silva na construção dessa história. Os trechos também apresentam diferentes interpretações sobre a criação do termo “escola de samba” e das inovações musicais associadas ao grupo. Além disso, evidenciam a influência do Estácio no desenvolvimento do samba carioca durante as décadas de 1920 e 1930.
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1991